terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Matéria publicada no Estadão

Sem dúvida, uma das melhores coisas que aconteceram comigo durante o ano de 2009. Participei da Semana Estado de Jornalismo, promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo em parceria com o grupo Santander, e a matéria escrita por mim foi publicada na edição do dia 22 de setembro de 2009. Nada pode pagar a satisfação de ter uma matéria publicada. Saber que aquela iniciativa que tanto lhe ensinou poderá ensinar outros, é algo realmente gratificante pessoal e profissionalmente.
Segue a matéria e espero contar com seu comentário:

Óleo no lugar certo, Tietê menos poluído

O Estado de S. Paulo - 23/09/2009


É no município de Mogi das Cruzes, a 65 quilômetros de São Paulo, que se inicia o ciclo de poluição do Rio Tietê. Mas também ali, perto da nascente,é que surgiu um projeto para reduzir o impacto gerado pelo descarte indevido de óleo vegetal, oriundo de cozinhas comerciais e residências: o projeto Renove. A iniciativa, que transforma o resíduo em matéria-prima, é desenvolvida pela organização Bio-Bras com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), e foi implantada em março de 2008. O projeto já chegou a Suzano e atingirá, até o fim do ano, outros quatro municípios da região do Alto Tietê: Biritiba Mirim, Salesópolis, Poá e Ferraz de Vasconcelos.O excesso de óleo vegetal interfere no ecossistema aquático. Um litro de óleo polui até 10 quilômetros de camada de água, formando uma película que impede a passagem do oxigênio e mata plânctons, animais e vegetais microscópicos. Para César Lima, integrante do subcomitê da Bacia Hidrográfica Alto Tietê Cabeceiras, a iniciativa é promissora. Ele explica: ''O óleo impede a passagem do esgoto até os pontos desejados. Por isso, o projeto tem impacto positivo direto no sistema de coleta, evitando obstruções por gordura. Além disso, o rio recebe bem menos carga orgânica e consegue se recuperar mais depressa.''O Renove surgiu a partir de pesquisa da Bio-Bras sobre o impacto dos resíduos orgânicos lançados no Tietê. Em 2007, foi constatado que os 367.703 moradores de Mogi eram responsáveis pelo descarte de 45 mil litros de óleo por mês. A falta de conscientização ambiental fazia com que 95% do resíduo das residências e 70% dos estabelecimentos alimentícios tivessem o rio como destino. A pesquisa recebeu o prêmio Empreendedor Social da organização Ashoka-McKinsey.Donas de casa e comerciantes compõem o público-alvo do Renove, cujo objetivo é conscientizar as pessoas a não jogar óleo no ralo e que o sabão, em vez de ajudar, agrava o problema. ''Como a gordura já está saturada, quando é misturada a outros produtos, acaba prejudicando ainda mais'', esclarece a coordenadora do projeto, Priscila de Oliveira Rodrigues. É possível encontrar o posto de coleta em comércios, escolas, associações, igrejas e condomínios da cidade. O óleo é entregue em recipiente fechado e depositado no Eco-posto por meio de um galões. Os clientes do supermercado Shibata, na Vila Industrial, participam ativamente. ''Depois de seis meses, já não era preciso anunciar a coleta'', conta o gerente, Toshio Ikegawa. A prova disso é a explicação da cliente Nadir Oliveira Fernandes, que antes do Renove não sabia o que fazer com o óleo: ''Jogava no vaso sanitário, mas agora sei que estraga a água e separo para meu neto levar ao supermercado.''Em pouco mais de 17 meses, o Renove chegou a 10 mil residências e arrecadou mais de 26 mil toneladas do resíduo. Do Núcleo Ambiental Ilha Marabá, sede da Bio-Bras, em Mogi das Cruzes, o óleo é levado a São Paulo. Em seguida, passa por um processo e é encaminhado às indústrias de tinta para parede, massa para vidro, cola e óleo para lubrificar caldeiras. Em maior quantidade pode ser usado na produção de biodiesel. A organização pretende montar uma usina para combustível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário