sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

I'M SORRY - Greenpeace

Eis alguns rostos que nos lembrarão de Copenhague:
















Copenhague virou Flopenhague

Do inglês, hope significa esperança e flop fiasco. Significados aplicados à COP 15, encerrada hoje, após duas semanas de muitos discursos e nenhum compromisso concreto e conjunto estabelecido pelos líderes mundiais.
Ao longo desses dias, meus olhos estiveram vidrados em Copenhague. Coberturas de revistas, notícias e mais notícias. Tentei ler o máximo possível e, não tenho dúvida, que continuarei lendo mais nos próximos dias. Em alguns momentos, tive a impressão de que os tão costumeiros deslizes de oratória dos presidentes eram mais visíveis do que o objetivo da reunião em si.
Desde o primeiro instante, o pessimismo dos ativistas de organizações ambientais espalhadas pelo mundo era visto por meio de diversas manifestações. Quisera que tais previsões estivessem erradas, mas não foi o que aconteceu. Ambientalistas, vocês estavam certos!
E por que será? Quando se fala em redução das taxas de CO2, entre outros gases responsáveis pelo Efeito Estufa, o primeiro questionamento feito pelas nações é "em quanto isso afetaria meu PIB?". Trocando em miúdos, a economia preocupa muito mais do que qualquer outro problema, mesmo que ele signifique o fim de tudo, mas muitos parecem não terem se dado conta disso. Pobre presidente das Maldivas! No ritmo das negociações, o arquipélogo virará história...
Vi Sarkozy bater os punhos na mesa, Africanos desistirem e tentarem mais uma vez e Lula se esforçando em abrir os olhos dos outros para a gravidade do problema. Simples discurso ou não, gostem ou não, o presidente do Brasil teve coragem para dizer o que fora apontado pela campanha do Greenpeace, "no amanhã poderemos ser cobrados por não termos feito nada para salvar a Terra enquanto ainda era possível fazer alguma coisa para cuidar dela".
Enquanto isso, Obama recebia seu prêmio Nobel da Paz, participava de suas reuniões, Hillary tentava mostrar o interesse do país pelo debate até que o presidente aparecesse, no último instante para, digamos, tentar fazer um milagre na prorrogação, ou pelo menos, dizer que tentou fazer sua parte.

Resumo dos debates em Copenhague
  • Os pobres acusam os ricos
  • Os ricos querem ajudar os pobres a diminuirem suas emissões de gases poluentes. Mas, como ficam as emissões dos países ricos?
  • Os EUA acusam a China, que por sua vez, não se dá ao trabalho de revidar. Pra quê? Para garantir a vida da população mundial e reduzir meu lucro? Os EUA reduziram os deles?
Como ficarão as taxas de emissão de poluentes? qual o futuro do planeta? qual será a parcela de comprometimento que as nações estão dispostas a assumir com a humanidade? Os líderes mundiais deixam Copenhague e o que sinto é a mesma frustração de Lula ao não ver nenhuma destas questões respondida. Ou melhor, sabemos pelo menos qual será o nosso futuro, caso tudo continue como agora.
Em 2010, eles se reunirão novamente para a COP 16 no México... hope or flop?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Matéria publicada no Estadão

Sem dúvida, uma das melhores coisas que aconteceram comigo durante o ano de 2009. Participei da Semana Estado de Jornalismo, promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo em parceria com o grupo Santander, e a matéria escrita por mim foi publicada na edição do dia 22 de setembro de 2009. Nada pode pagar a satisfação de ter uma matéria publicada. Saber que aquela iniciativa que tanto lhe ensinou poderá ensinar outros, é algo realmente gratificante pessoal e profissionalmente.
Segue a matéria e espero contar com seu comentário:

Óleo no lugar certo, Tietê menos poluído

O Estado de S. Paulo - 23/09/2009


É no município de Mogi das Cruzes, a 65 quilômetros de São Paulo, que se inicia o ciclo de poluição do Rio Tietê. Mas também ali, perto da nascente,é que surgiu um projeto para reduzir o impacto gerado pelo descarte indevido de óleo vegetal, oriundo de cozinhas comerciais e residências: o projeto Renove. A iniciativa, que transforma o resíduo em matéria-prima, é desenvolvida pela organização Bio-Bras com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), e foi implantada em março de 2008. O projeto já chegou a Suzano e atingirá, até o fim do ano, outros quatro municípios da região do Alto Tietê: Biritiba Mirim, Salesópolis, Poá e Ferraz de Vasconcelos.O excesso de óleo vegetal interfere no ecossistema aquático. Um litro de óleo polui até 10 quilômetros de camada de água, formando uma película que impede a passagem do oxigênio e mata plânctons, animais e vegetais microscópicos. Para César Lima, integrante do subcomitê da Bacia Hidrográfica Alto Tietê Cabeceiras, a iniciativa é promissora. Ele explica: ''O óleo impede a passagem do esgoto até os pontos desejados. Por isso, o projeto tem impacto positivo direto no sistema de coleta, evitando obstruções por gordura. Além disso, o rio recebe bem menos carga orgânica e consegue se recuperar mais depressa.''O Renove surgiu a partir de pesquisa da Bio-Bras sobre o impacto dos resíduos orgânicos lançados no Tietê. Em 2007, foi constatado que os 367.703 moradores de Mogi eram responsáveis pelo descarte de 45 mil litros de óleo por mês. A falta de conscientização ambiental fazia com que 95% do resíduo das residências e 70% dos estabelecimentos alimentícios tivessem o rio como destino. A pesquisa recebeu o prêmio Empreendedor Social da organização Ashoka-McKinsey.Donas de casa e comerciantes compõem o público-alvo do Renove, cujo objetivo é conscientizar as pessoas a não jogar óleo no ralo e que o sabão, em vez de ajudar, agrava o problema. ''Como a gordura já está saturada, quando é misturada a outros produtos, acaba prejudicando ainda mais'', esclarece a coordenadora do projeto, Priscila de Oliveira Rodrigues. É possível encontrar o posto de coleta em comércios, escolas, associações, igrejas e condomínios da cidade. O óleo é entregue em recipiente fechado e depositado no Eco-posto por meio de um galões. Os clientes do supermercado Shibata, na Vila Industrial, participam ativamente. ''Depois de seis meses, já não era preciso anunciar a coleta'', conta o gerente, Toshio Ikegawa. A prova disso é a explicação da cliente Nadir Oliveira Fernandes, que antes do Renove não sabia o que fazer com o óleo: ''Jogava no vaso sanitário, mas agora sei que estraga a água e separo para meu neto levar ao supermercado.''Em pouco mais de 17 meses, o Renove chegou a 10 mil residências e arrecadou mais de 26 mil toneladas do resíduo. Do Núcleo Ambiental Ilha Marabá, sede da Bio-Bras, em Mogi das Cruzes, o óleo é levado a São Paulo. Em seguida, passa por um processo e é encaminhado às indústrias de tinta para parede, massa para vidro, cola e óleo para lubrificar caldeiras. Em maior quantidade pode ser usado na produção de biodiesel. A organização pretende montar uma usina para combustível.

domingo, 4 de outubro de 2009

Até quando?


Quando o conflito em Honduras teve início no mês de julho, particularmente, não esperava que a novela se estenderia por tanto tempo. Mas apesar de não ter sido reconhecido, o governo 'interino' de Honduras permaneceu, e todas as tentativas anunciadas de retorno do presidente deposto Manuel Zelaya, acabaram em frustração. Até que ele resolveu não anunciar mais nada! Então cá estamos, com um Zelaya abrigado desde 21 de setembro na embaixada brasileira, fazendo do local seu escritório político, dando ordens a sua equipe e aguardando posicionamento internacional sobre o caso. Micheletti se recusa a ceder. Enquanto isso, o povo aguarda, em clima de tensão, o resultado do impasse. Até quando? talvez a resposta venha na próxima terça-feira... vamos aguardar.


Cor do texto

Saiba mais da Crise eCor do textom Honduras


03/10/2009 - 22h53
Micheletti e Zelaya falam em diálogo, mas não cedem em disputa por Presidência
da Folha Online



Neste sábado, os presidentes interino, Roberto Micheletti, e deposto, Manuel Zelaya, renovaram as ofertas de diálogo por uma solução à crise política em Honduras, mas recusaram ceder na questão central --a restituição de Zelaya ao poder.
Após revelar reunião secreta com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, Micheletti disse que a "tranquilidade está voltando", mas que não discutiu o retorno de Zelaya ao poder --exigência da OEA e da comunidade internacional.
Da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro, quando voltou clandestinamente ao país, Zelaya propôs neste sábado uma agenda de três pontos para iniciar o diálogo na próxima semana --e que inclui sua restituição imediata.
A única saída para a crise política de Honduras é a volta ao poder do presidente deposto Manuel Zelaya, insistiu neste sábado um de seus principais assessores, poucos dias antes da chegada de uma missão da OEA com objetivo de recomeçar as estancadas negociações.
Carlos Eduardo Reina, um dos principais assessores de Zelaya, afirmou em entrevista à rádio local HRN, que o diálogo teria que estar baseado no Acordo de San José, proposta do mediador da crise, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que prevê a restituição de Zelaya sob um governo de coalizão.
"Se o regime aceita esta agenda, nós a aceitamos já e podemos iniciar imediatamente, na segunda ou na terça, o diálogo", disse Reina, de dentro da embaixada do Brasil.
Reina, citado pela agência Efe, disse que o presidente deposto está disposto a discutir algumas modificações no Acordo de San José, embora não tenha precisado quais seriam.
"O primeiro ponto é a aprovação e assinatura do Acordo de San José; o segundo, as mudanças que possam ser feitas no acordo do presidente Arias, e o terceiro, que seja cumprido com fiadores nacionais e internacionais", disse Reina.
Segundo Reina, Zelaya aceita modificações no Acordo de San José, porque o cenário que havia quando propôs seu plano, em meados de julho, era diferente do atual.

Diálogo
Já Micheletti revelou que conversou recentemente com Insulza sobre um diálogo. "Esperamos que possamos ter a certeza de que o diálogo vai resolver o problema. Já nos reunimos com membros da OEA tocando este mesmo assunto", afirmou.
Segundo o presidente interino, durante a reunião se falou "de absolutamente tudo", sem tocar, contudo, na restituição de Zelaya ao governo, como pede a comunidade internacional e a OEA.
Micheletti citou entre os temas da conversa o Acordo de San José e "as dificuldades que tiveram com a chegada do senhor Zelaya" em Honduras.
Foi "uma quantidade de temas que enfocamos, foi geral, foi uma agradável conversa" na qual se abordou o diálogo para resolver a crise, disse Micheletti. "Terminamos buscando a forma que possamos satisfazer todos os hondurenhos", especificou.
"Por isso digo que a tranquilidade está voltando ao país e isso nos alegra", acrescentou Micheletti.
Insulza confirmou neste sábado que teve uma reunião em segredo com Micheletti e disse que o objetivo do encontro foi promover o diálogo para resolver a crise.
O encontro, que aconteceu na terça-feira passada (29) em uma base militar dos Estados Unidos a 70 km ao norte da capital hondurenha, Tegucigalpa "teve por objetivo promover um diálogo entre as partes em conflito a fim de restabelecer a democracia e a ordem constitucional em Honduras", afirmou Insulza, em um comunicado em Washington (EUA).
Insulza deve voltar ao país no próximo dia 7 de outubro em uma missão de chanceleres da OEA em mais um esforço da comunidade internacional para mediar a crise, que, desde a volta de Zelaya ao país, em 21 de setembro passado, não avançou para um diálogo.
Antes da missão de chanceleres, chegou um grupo técnico da OEA que se encarregará de preparar a reunião dos chanceleres com diferentes setores sociais do país.
Segundo Insulza, a reunião faz parte da "estrita observância do mandato entregue pela Assembleia Geral da OEA em 4 de julho passado para tentar resolver a crise".
Insulza pretendia voltar a Honduras no dia posterior à volta de Zelaya. Sua visita foi adiada, contudo, pelo fechamento dos aeroportos.
A OEA exige a restituição de Zelaya, o que Micheletti considera impossível. O presidente interino critica ainda o chileno Insulza por ser parcial na mediação da crise e já vetou uma missão anterior do órgão, em agosto, pela presença do secretário-geral --que teve que participar apenas como observador.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A História pode mudar

Irônico, mas o último post que desse blog, há mais de um mês, é justamente sobre o caso mais recente de pizza brasileira... seria engraçado, se não fosse trágico!
Duro constatar que nada mudou, e não apenas no caso Sarney, mas os hondurenhos ainda convivem com seu 'governo interino'. A impunidade é o câncer dos tempos modernos. Aos poucos, destrói a esperança de que algo possa ser modificado, gera o desinteresse da sociedade, que de tanto verificar cenas como estas, passou a ignorá-las. Mas para aqueles que teimam em acreditar que algo possa ser diferente, outros exemplos também surgiram nesse mesmo período:

Museu da corrupção


No dia 18 de agosto, estudantes de Direito da Universidade de São Paulo (USP) realizaram manifestação contra a corrupção, destribuiram pizzas batizadas com os nomes dos envolvidos em diferentes escândalos e abriram a exposição do Museu da Corrupção (Muco), no Pátio das Arcadas, no campus universitário do Largo São Francisco, região central da capital paulista. Tudo para que a população não esqueça, mas cobre dos políticos o papel que têm por obrigação desempenhar.
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, apoia a iniciativa. "A única forma de direito à liberdade é por meio da participação. Criticar por criticar é fácil. A intenção da associação é que a sociedade entenda que só ela é que muda o curso da história.”
Os estudantes elaboraram manifesto contra a corrupção, que pode ser acessado no endereço:
www.petitiononline.com/xisenado. O documento será encaminhado ao Congresso Nacional e destaca que a reincidência de escândalos faz com que a arte da política, vista com admiração desde a cultura grega, seja encarada como algo digno de escárnio. “Escândalos como esses, tão recorrentes no cotidiano político brasileiro, nada mais são do que um reflexo de um vício estrutural que se arrasta por toda a formação histórica do país." O texto aponta distorções do jogo democrático que favorecem "o pequeno grupo que se apoderou da máquina pública" e lembra que voltaram à atualidade "genuínas expressões de um passado coronelista", como nepotismo, apropriação de recursos públicos e negociação de cargos.


Para conhecer e não esquecer a história da corrupção no país, visite o acervo do museu da Corrupção: http://www.muco.com.br/





Cartão vermelho

Se os escândalos do Senado brasileiro causam vergonha, a atuação dos membros da Casa que insistem em defender a ética e o voto de confiança do povo causam orgulho. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), cobrado pelos eleitores sobre o desfecho dado ao caso Sarney, passou também a cobrar. Para o presidente da Casa, a atitude causou estranheza. Mudaremos as manchetes para: Sarney o injustiçado!
A postura de Suplicy, ao contestar Sarney e, no dia seguinte, levantar o cartão vermelho contra o presidente do Senado, pode ter sido criticada, mas dificilmente será esquecida por aqueles que acreditam que algo possa ser diferente, grupo de sonhadores no qual me incluo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Manchas na ética

É incrível, revoltante, frustrante e o que mais se puder dizer, mas parece que a corrupção virou o pão de cada dia no cenário político do país.
Seja bem vindo a Casa da mãe Joana, ou, se preferir, Senado Federal.
Sarney facilita nomeação do namorado da neta e, pasmem, nem o presidente do senado na época sabia!
O presidente do comitê de ética do senado, Paulo Duque (PMDB-RJ) vê o nepotismo com extrema naturalidade e chama de hipocrisia a atitude daqueles que falam dos atos secretos, usados para nomear parentes, como algo inaceitável. Comitê do quê mesmo?
Atitudes como estas são inadmissíveis para pessoas que ganharam o voto de confiança da população, que mais uma vez parece não estar tão atenta aos escândalos. Talvez seja justamente por isso que tais políticos continuem recebendo votos.
Infelizmente, a falta de ética, corrupção, o nepotismo e outros deslizes não impressionam.Viraram parte da rotina nacional.

Maralhão: terra de SARNEY

O Maranhão fica no Brasil ???!!!

- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;

- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;

- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto , Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;

- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;

- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);

- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney.. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas 'maravilhosas' rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Então quer reclamar?
Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney...

Seria cômico se não fosse tão triste....
Infelizmente, o texto é verdadeiro...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A luta dos hondurenhos

A liberdade é preciosa. Só aqueles que viveram sua ausência podem constatar a dimensão dessa afirmação.
Nas ditaduras do Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Portugal e em tantos outros países, o mundo pode verificar a força dos golpes contra a democracia, contra a vontade do povo e seu direito de decidir o próprio futuro.
Talvez a escuridão de tais lembranças tenham ajudado a ofuscar o mais recente desses golpes. Os hondurenhos disseram 'não'. E esse não ecoa pelas ruas do país. Nenhum outro país reconheceu o governo interino de Roberto Micheletti, o que significa um avanço para a história, uma prova de que o poder usurpado não será aceito como o fora no passado. Assim espero!

Embora a mídia não dê tanta importância, estamos diante de um fenômeno invertido e precioso. É comum ver o povo se manifestar depois de reencontrar-se com a democracia. Ver a festa para a realização das eleições, a alegria em poder depositar o voto. Menos comum é presenciar a manifestação para não perder tais direitos.

Distituído em uma tentativa de golpe que está com os dias contatos para concretizar seu fracasso, Manuel Zelaya continua a incentivar a população a lutar por seu retorno. Uma luta muito mais ampla pelo direito a liberdade, mas que pode custar vidas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E o clima...

Há pelo menos um século, a evolução humana passou a contribuir para o retrocesso do meio ambiente. A questão é séria, só não é tratada com a importância e urgência que necessita.
Líderes dos 17 países, que juntos respondem por 80% da emissão dos gases poluentes no mundo, se reuniram em L' Aquila, Itália, para propor um acordo que substitua o protocolo de Kyoto e permita reduzir pela metade tal emissão.
O acordo ficou apenas na pauta. Promessas foram feitas e os líderes do G8 se comprometeram a dar exemplo. Mas como? a questão não foi respondida, o que não agradou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon , muito menos o Greenpeace, WWF, e outras organizações e pessoas engajadas na luta pela vida do planeta.
As potências econômicas adiam a discussão e a adoção medidas, como o uso de energia renovável, além do incentivo financeiro aos países em desenvolvimento. Todos se preocupam com a economia, com o lucro, com o dinheiro. O que será preciso acontecer para que aconteça uma mudança na mentalidade mundial e os problemas climáticos recebam a devida atenção? Uma inundação em Wall Street? Até quando a discussão receberá apenas uma nota no jornal enfatizando o encontro da cúpula e não a pauta em questão?
Pelo jeito, somente quando for possível sentir o impacto sobre a lucratividade é que algo será feito. Espero que a previsão esteja errada ou temo que seja tarde.
Façamos a nossa parte, porque os líderes... só em dezembro!

O tapete de Sarney

Os gregos certamente estão se remexendo no túmulo. Quem diria que o senado deixaria de ser formado por cidadãos sábios e respeitados pela experiência, para se transformar em um modelo que do que não deve ser feito. Pois é o que está acontecendo no Brasil!
Enquanto o Papa pede ética para políticos e empresários, para solucionar os problemas econômicos gerados no mundo, devido a ausência total dos valores morais, os brasileiros assistem, leem ou escutam as notícias e mais notícias sobre escândalos envolvendo nossos tão respeitáveis políticos.
Nos últimos dias, Sarney parecia ter virado alvo de uma merecida campanha dos meios e dos próprios parlamentares pelo afastamento do cargo de presidente da Casa. O governo assumiu o papel de defesa para acalmar os ânimos e deixar o tapete de Sarney de lado. Mas, como diz o ditado: quem procura acha! e como...
Eis que mais denúncias aparecem. 500 mil desviados da estatal Petrobrás para contas de empresas inexistentes, com endereços ou nome falsos, algumas pertencentes a amigos do senador. Mas a denúncia não pareceu ter relevância suficiente para abrir o noticiário mais assistido no país, talvez contrarie os interesses da organização.
Meio milhão, até agora. Se a investigação decidir ouvir os cidadãos maranhenses, a cifra poderá ganhar mais alguns zeros, escondidos embaixo do tapete.

We Are The World

by Michael Jackson

There comes a time when we hear a certain call
When the world must come together as one
There are people dying
and its time to lend a hand to life
There greatest gift of all

We cant go on pretending day by day
That someone, somewhere will soon make a change
We are all a part of Gods great big family
And the truth, you know,
Love is all we need

We are the world, we are the children
We are the ones who make a brighter day
So lets start giving
Theres a choice we're making
We're saving out own livesits true we'll make a better day
Just you and me

We'll send them your heart so they'll know that someone cares
And their lives will be stronger and free
As God has shown us by turning stones to bread
So we all must lend a helping hand

When you're down and out, there seems no hope at all
But if you just believe theres no way we can fall
Let us realize that a change can only come
When we stand together as one

Heal The World

Composição: Michael Jackson

"Think about the generations and they say: We want to make it a better place for our children and our children's children. So that they know it's a better world for them; and think if they can make it a better place."

There's a place in your heart
And I know that it is love
And this place could be
Much brighter than tomorrow
And if you really try
You'll find there's no need to cry
In this place you'll feel there's no hurt or sorrow

There are ways to get there
If you care enough for the living
Make a little space
Make a better place ...

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make it a better place
For you and for me

If you want to know why
There's love that cannot lie
Love is strong
It only cares of joyful giving
If we try we shall see
In this bliss we cannot feel
Fear or dread
We stop existing and start living

Then it feels that always
Love's enough for us growing
So make a better world
Make a better world ...

And the dream we were conceived in
Will reveal a joyful face
And the world we once believed in
Will shine again in grace
Then why do we keep strangling life

Wound this earth, crucify its soul
Though it's plain to see
This world is heavenly
Be God's glow

We could fly so high
Let our spirits never die
In my heart
I feel you are all my brothers
Create a world with no fear
Together we'll cry happy tears
See the nations turn their swords into plowshares

We could really get there
If you cared enough for the living
Make a little space
To make a better place

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Adeus Michael!

Na noite de ontem, o mundo recebeu uma notícia inesperada: morre Michael Jackson. No mesmo instante imaginei a loucura nas redações, pautas deixadas de lado para dar espaço ao assunto que ocuparia a primeira página dos jornais do dia seguinte, afinal questões ambientais, educacionais, políticas e internacionais não vendem tanto. A corrupção não interessa, mas a morte do maior astro pop, interessa e muito.
Como pessoa, fico indignada ao perceber o grau de importância dado pelo público e como a imprensa evidencia seu interesse maior de lucro. Gostaria que outras discussões mais importantes recebessem a mesma atenção. Isso não acontece, mas continuo sonhando.
É inegável a importância do artista Michael Jackson e ela não será esquecida por seus fãs e admiradores ao redor do mundo. Respeito o sentimento daqueles que estão tristes, mas não vou vestir luto por esta questão. Visto pela falta de educação, pela desigualdade que existe no mundo, pela educação e péssimas condições de saúde da população. Espero que outras pessoas se preocupem também.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O STF e a grande mídia

Venício Lima
Agência Carta Maior

Infelizmente, a maioria do STF ainda “acredita” que a liberdade de imprensa tem hoje o mesmo significado que tinha na Inglaterra do século XVII onde “the press” era apenas a tipografia onde indivíduos livres para imprimir e divulgar suas idéias estariam mais preparados para o autogoverno.

No curto período de sete semanas, o STF tomou duas importantes decisões que afetam diretamente o campo das comunicações no país: considerou não recepcionadas pela Constituição de 1988 duas normas legais oriundas do período autoritário, a saber, a totalidade da Lei 5.250/1967 (Lei de Imprensa) e a exigência de diploma de curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista contida no Decreto Lei 972/1969.Em ambos os julgamentos – independente das decisões finais – o STF, data venia, confirmou que a maioria de seus membros, no que se refere ao debate contemporâneo (acadêmico ou não) sobre o poder e a centralidade da mídia, vive período anterior às fusões, aquisições e joint ventures que fizeram emergir os conglomerados globais de comunicação e entretenimento na segunda metade do século passado quando, na verdade, já estamos imersos na capilaridade do ciberespaço.Tanto no julgamento da ADPF 130 como no da RE 511961 é possível concluir que a maioria do STF:(1) supõe uma inexistente “autonomia” profissional que confunde o exercício individual da profissão de jornalista com o poder da “imprensa”, isto é, com o poder dos grupos empresariais que contratam e empregam os jornalistas, vale dizer, que são os seus patrões;(2) supõe que o jornalista é senhor das pautas, vale dizer, daquilo que efetivamente é veiculado na mídia impressa ou eletrônica, ignorando que os jornalistas trabalham numa estrutura empresarial vertical e hierarquizada onde aqueles em posição de decisão editorial, lá estão porque são, eles próprios, os proprietários da empresa ou porque estão a eles “alinhados”;(3) ignora que a atividade de jornalista não pode ser considerada uma extensão, sem mais, da liberdade de expressão simplesmente porque seu objeto não é a opinião mas, em tese, a notícia que deve ser isenta, imparcial e equilibrada. Aqueles que profissionalmente emitem opiniões na mídia – editorialistas, colunistas, articulistas, comentaristas, analistas – em sua maioria, nem sequer são jornalistas; e(4) continua a considerar o Estado como a única ameaça à liberdade de expressão individual e à liberdade de imprensa, ignorando o poder de censura e controle dos próprios grupos de mídia privada, mesmo quando fundamenta o argumento jurídico em premissas que claramente conduzem a conclusões distintas.Um exemplo emblemáticoEm outra ocasião tratei do julgamento da ADPF 130 e agora quero, em particular, referir-me à parte do argumento contido no voto do relator do RE 511961 que, como ele mesmo afirma, já havia sido apresentado também no seu voto em relação à ADPF 130. Tomo como referencia o voto sem revisão disponibilizado AQUI.Ao concluir a primeira parte do “mérito”, na qual considera a exigência do diploma como uma forma de controle estatal prévio sobre a liberdade de expressão, o relator passa sem mais do exercício profissional da profissão de jornalista para a “atividade jornalística” ou para “a imprensa e seus agentes”. Afirma ele:(...) O entendimento até aqui delineado não deixa de levar em consideração a potencialidade danosa da atividade de comunicação em geral e o verdadeiro poder que representam a imprensa e seus agentes na sociedade contemporânea (p. 69).Para comprovar “a potencialidade danosa da atividade de comunicação em geral e o verdadeiro poder que representam a imprensa e seus agentes”, o relator faz várias citações – diga-se, absolutamente pertinentes – dos juristas Fritz Ossenbuhl, Manuel da Costa Andrade e Vital Rego. Vale a longa transcrição de parte delas:O poder da imprensa é hoje quase incomensurável. Se a liberdade de imprensa nasceu e se desenvolveu (...) como um direito em face do Estado, uma garantia constitucional de proteção de esferas de liberdade individual e social contra o poder político, hodiernamente talvez represente a imprensa um poder social tão grande e inquietante quanto o poder estatal. É extremamente coerente, nesse sentido, a assertiva de Ossenbühl quando escreve que “hoje não são tanto os media que têm de defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media” (...).Nesse mesmo sentido são as ponderações de Vital Moreira: “No princípio a liberdade de imprensa era manifestação da liberdade individual de expressão e opinião. Do que se tratava era de assegurar a liberdade da imprensa face ao Estado. No entendimento liberal clássico, a liberdade de criação de jornais e a competição entre eles asseguravam a verdade e o pluralismo da informação e proporcionavam veículos de expressão por via da imprensa a todas as correntes e pontos de vista. Mas em breve se revelou que a imprensa era também um poder social, que podia afetar os direitos dos particulares, quanto ao seu bom nome, reputação, imagem, etc. Em segundo lugar, a liberdade de imprensa tornou-se cada vez menos uma faculdade individual de todos, passando a ser cada vez mais um poder de poucos. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa já não são expressão da liberdade e autonomia individual dos cidadãos, antes relevam dos interesses comerciais ou ideológicos de grandes organizações empresariais, institucionais ou de grupos de interesse. Agora torna-se necessário defender não só a liberdade da imprensa mas também a liberdade face à imprensa” (...).O pensamento é complementado por Manuel da Costa Andrade, nos seguintes termos:“Resumidamente, as empresas de comunicação social integram, hoje, não raro, grupos econômicos de grande escala, assentes numa dinâmica de concentração e apostados no domínio vertical e horizontal de mercados cada vez mais alargados. Mesmo quando tal não acontece, o exercício da atividade jornalística está invariavelmente associado à mobilização de recursos e investimentos de peso considerável. O que, se por um lado resulta em ganhos indisfarçáveis de poder, redunda ao mesmo tempo na submissão a uma lógica orientada para valores de racionalidade econômica. Tudo com reflexos decisivos em três direções: na direção do poder político, da atividade jornalística e das pessoas concretas atingidas (na honra, privacidade/intimidade, palavra ou imagem)” (...).É compreensível, assim, que o exercício desse poder social muitas vezes acabe por ser realizado de forma abusiva. É tênue a linha que separa a atividade regular de informação e transmissão de opiniões do ato violador de direitos da personalidade. E os efeitos do abuso do poder da imprensa são praticamente devastadores e de dificílima reparação total.Mais uma vez citem-se as sensatas palavras de Ossenbühl sobre os efeitos perversos e muitas vezes irreversíveis do uso abusivo do poder da imprensa:“Numa inextricável mistura de afirmações de fato e de juízos de valor ele (indivíduo) vê a sua vida, a sua família, as suas atitudes interiores dissecadas perante a nação. No fim ele estará civicamente morto, vítima de assassínio da honra (Rufmord). Mesmo quando estas conseqüências não são atingidas, a verdade é que a imprensa moderna pode figurar como a continuadora direta da tortura medieval. Em qualquer dos casos, é irrecusável o seu efeito-de-pelourinho” (...). No Estado Democrático de Direito, a proteção da liberdade de imprensa também leva em conta a proteção contra a própria imprensa (pp. 69-71).Diante de arrazoado tão incisivo, esperava-se que a sequencia do argumento clamasse, por exemplo, pela regulamentação do § 5º do artigo 220 da Constituição de 88, uma das disposições que se deve observar em relação à “ausência de restrições à manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo”, vale dizer:“Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.O que o relator conclui, no entanto, além de contrariar a simples lógica, está na contramão das normas legais de estímulo e controle da competição no mercado das empresas de mídia que vigoram em países como os Estados Unidos (desde 1943) e a Inglaterra (desde 1949). Afirma ele:É certo, assim, que o exercício abusivo do jornalismo implica sérios danos individuais e coletivos. Porém, mais certo ainda é que os danos causados pela atividade jornalística não podem ser evitados ou controlados por qualquer tipo de medida estatal de índole preventiva (sublinhado nosso, p. 71).E, logo em seguida, conclui o relator:(...) E, como analisado acima, não há razão para se acreditar que a exigência de diploma de curso superior de jornalismo seja uma medida adequada e eficaz para evitar o exercício abusivo da profissão (pp. 71-72).Certamente a exigência de diploma superior específico de jornalismo para o exercício da profissão nada tem a ver com a oligopolização e a monopolização das empresas de mídia que controlam o mercado de informação e entretenimento, contrariando os princípios da pluralidade e da diversidade que constituem o fundamento básico da liberdade de expressão e da democracia.Tipografia vs. conglomerados de mídiaInfelizmente, a maioria do STF ainda “acredita” que a liberdade de imprensa tem hoje o mesmo significado que tinha na Inglaterra do século XVII onde “the press” era apenas a tipografia onde indivíduos livres para imprimir e divulgar suas idéias estariam mais preparados para o autogoverno. Já faz tempo a velha “imprensa” se transformou em uma poderosa instituição – na mídia, que é o coletivo dos diferentes meios impressos e eletrônicos – e não tem mais qualquer relação direta com a liberdade individual de expressão dos cidadãos.A esperança para uma comunicação democratizada e um espaço público participativo está cada vez mais no avanço da inclusão digital e nos blogs, sítios de relacionamento, redes sociais virtuais, twiters e sítios alternativos de informação e entretenimento.Enquanto isso o STF continua a equacionar liberdade de expressão com liberdade de imprensa, permanece nos tempos idílicos de uma “imprensa” de poesia e literatura e, com isso, ajuda a prolongar o domínio da grande mídia sobre o espaço público em nosso país.


Venício Lima é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB

A liberdade das más razões

É falsa a ideia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa

JANIO DE FREITAS
Folha de São Paulo

"LIBERDADE de expressão" não é uma expressão de liberdade, é uma fórmula cuja utilidade política está em encobrir limitações e condicionantes do direito de expressão. Umas necessárias à sociedade, outras impostas para preservação de domínio.Magistrados e advogados abusaram do uso da expressão que sabem ser falaciosa, para chegar à extinção, pelo Supremo Tribunal Federal, da exigência de diploma específico para profissionais do jornalismo. A exigência, não nascida dos motivos repetidos no STF, foi um excesso problemático desde sua criação em 1969, mas nem por isso deixou de produzir um efeito muito saudável e nunca citado, no STF ou fora. Em lugar do diploma específico, a obrigatoriedade de algum curso universitário, não importa qual, seguida de um curso intensivo de introdução aos princípios e técnicas do jornalismo, seria a fórmula mais promissora para a melhor qualidade dos meios de comunicação.É um argumento rústico a afirmação de que diploma obrigatório de jornalismo desrespeita a Constituição, por restringir o direito à liberdade de expressão. É falsa essa ideia de que o jornalismo profissional seja o repositório da liberdade opinativa. São inúmeros os meios de expressão de ideias e opiniões. E, não menos significativo, a muito poucos, nos milhares de jornalistas, é dada a oportunidade de expressar sua opinião, e a pouquíssimos a liberdade incondicional de escolha e tratamento dos seus temas. (A esta peculiaridade sua, a Folha deve a arrancada de jornal sobrevivente para o grande êxito).A matéria-prima essencial do jornalismo contemporâneo não é a opinião, é a notícia. Ou seja, a informação apresentada com técnicas jornalísticas e, ainda que a objetividade absoluta seja um problema permanente, sem interferências de expressão conceitual do jornalista. A grande massa da produção dos jornalistas profissionais não se inclui, nem remotamente, no direito à liberdade de expressão. Há desvios, claro, mas a interferência de formas opinativas no noticiário serve, em geral, à opinião e a objetivos (econômicos ou políticos) da empresa. Neste caso há, sim, uma prática à liberdade de expressão, no entanto alheia ao jornalismo, aí reduzido a mera aparência de si mesmo.Os colaboradores, não profissionais de jornalismo, são os grandes praticantes do direito de liberdade de expressão nos meios de comunicação. E nunca precisaram de diploma de jornalista. A extinção da exigência de diploma em nada altera as possibilidades, as condicionantes e as limitações da liberdade de expressão na produção do jornalismo. Altera o que chamam de mercado de trabalho para os níveis iniciais do profissionalismo. Para os níveis mais altos, há muito tempo as empresas adotaram artifícios para dotar suas redações de diplomados em outras carreiras que não o jornalismo. À parte a questão legal, o resultado é muito bom.Com o diploma, extinto à maneira de um portão derrubado e dane-se o resto, o STF eliminou sem a menor consideração o efeito moralizante, não só para o jornalismo, trazido sem querer pela exigência de curso. Efeito sempre silenciado. Deu-se que os anos de faculdade e seu custo desestimularam a grande afluência dos que procuravam o jornalismo, não para exercê-lo, mas para obter vantagens financeiras, sociais e muitas outras. Tal prática sobreviveu à exigência do curso, porém não mais como componente, digamos, natural do jornalismo brasileiro. É lógico que as empresas afirmem critérios rigorosos para as futuras admissões, mas sem que isso valha como segurança de passar da intenção à certeza.O julgamento do recurso antidiploma trouxe uma revelação interessante, no conceito que a maioria do Supremo e os advogados da causa mostraram fazer da ditadura. Segundo disseram, já a partir do relatório de Gilmar Mendes, o decreto-lei com a exigência de diploma era um resquício da ditadura criado, em 69, para afastar das redações os intelectuais e outros opositores do regime. Ah, como eram gentis os militares da ditadura. Repeliram a violência e pensaram em uma forma sutil, e legal a seu modo, de silenciar os adversários nos meios de comunicação, um casuísmo constrangido.Nem que fosse capaz de tanto, a ditadura precisaria adotá-lo. Sua regra era mais simples: a censura e, se mais conveniente, a prisão.O julgamento no STF dispensou a desejável associação entre direito à liberdade de expressão e, de outra parte, recusa a argumentos inverazes. A boas razões preferiu a demagogia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Omissão internacional


O princípio da diplomacia, interesses políticos e financeiros impedem que os países se manifestem contra ações desumanas e corruptas ao redor do mundo. Quando alguma intervenção acontece, não é feita por bondade, mas para atender as pretenções do invasor. Assim foi no Iraque.

Mesmo diante de fraudes eleitorais, a repercussão política se restringe a notas de algumas nações condenando atos ou tentando manter a imparcialidade, justamente no momento em que ela não é bem vinda.
A reeleição do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sob acusações de fraude desde a apuração dos votos, vem gerando uma onda de protestos no país. Nesta quarta feira, a polícia iraniana prendeu cerca de 20 pessoas na sede do jornal "Kalameh", favorável ao candidato reformista derrotado e líder da oposição Mir Hossein Mousavi. O Irã proibiu jornalistas e agências de notícias estrangeiras de permanecer no país e cobrir o que chama de distúrbios, os protestos em massa da oposição que ocupam as ruas de Teerã desde o anúncio do resultado oficial das eleições. Quando a liberdade de expressão passa a cerceada, é um sinal de que algo não está certo. Uma prática comum de governos autoritaristas e ditadoriais. Mesmo diante das mortes, os demais países mantém sua postura diplomática.
Este fato não saiu dos padrões dos últimos anos. Quem lembra da eleição do primeiro mandato de George W. Bush? Uma eleição com evidências de fraude, mas contra o resultado nada foi feito. Qual a função dos observadores internacionais? Apenas observar. Se estiver tudo certo, elogiam o processo eleitoral, se não estiver, paciência! E a intervenção? Ela acontece... basta aparecer petróleo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Roda Viva entrevista ministro Celso Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participou segunda-feira do programa Roda Vida. Sabatinado por diversos jornalistas, Amorim respondeu diversas questões sobre o cenário global. A cautela pode ser destacada no posicionamento adotado pelo Brasil nas relações internacionais.
Sobre o conflito gerado pela suposta fraude nas eleições iranianas, que tem gerado revolta e manifestações entre partidários da oposição e já deixou 20 mortos, o ministro afirmou que não cabe ao Brasil fazer julgamentos e que estes devem ser feitos pelo povo, mas que o conflito deixa claro que a sociedade iraniana é crítica e dinâmica.
Sobre Cuba, respondeu que o Brasil não quer ser o intermediador entre o país e os EUA, mas que está disposto a colaborar no que puder e que não se surpreendeu com o não retorno de Cuba à Organização dos Estados Americanos. Agradeceu a menção da jornalista da Folha, Claudia Antunes, sobre o fato do país ter aumentado sua representatividade no cenário internacional nos últimos anos.
A postura do Brasil é de engajamento, defendendo interesses próprios e de países mais pobres. O que interessa é estabelecer o diálogo, pois só assim será possível contribuir para solucionar conflitos humanitários, que envolvem interesses geopolíticos das nações e que não podem ser ignorados. "Não somos portadores de uma superioridade moral sobre outros países", afirmou.

Enquanto isso, no Senado nacional...

Sucessivas denúncias de corrupção, com elevação dos salários dos senadores, por meio de atos secretos, têm colocado a Casa no centro dos debates nas últimas semanas. Enquanto alguns membros pedem ampla reforma e a punição para os envolvidos, o presidente José Sarney (PMDB-AP) reafirma que não acobertará ninguém. Ao mesmo tempo, Sarney demonstra certo descontentamento pelo papel que é obrigado a assumir diante da crise da Instituição. "Eu julguei que, quando fui eleito presidente, era para presidir politicamente a Casa e não para ficar submetido a procurar a dispensa ou limpar o lixo das cozinhas da Casa".
Infelizmente, o lixo do Senado deixou a cozinha há muito tempo.

A saga do diploma

O presidente do STF, Gilmar Mender, ao comentar o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo afirmou que a decisão poderá se estender a outras profissões. "Essa é a primeira decisão de uma sére de profissões. Não se trata de juízo de desvalor".
Qual será a próxima vítima?

domingo, 21 de junho de 2009

E o diploma?

Na última quarta-feira, 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal extinguiu a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista.
A advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), utilizou um argumento tão absurdo que merece destaque: "A profissão de jornalista é desprovida de técnicas. É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo do conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo." Tal afirmação me faz pensar que a advogada nunca visitou um curso de jornalismo.
É mais fácil extinguir o diploma do que investir na qualidade do ensino superior oferecido nas instituições do país. Certamente isso daria trabalho ao Ministério da Educação e gastos às universidades. A luta do Sertesp não deveria ser pela melhora das grades curriculares, a fim de preparar melhor os profissionais para exercer a profissão? Ou será que os veículos de mídia não estão interessados em jornalistas pensantes?
O diploma nunca foi sinônimo de qualidade. Essa afirmação não é válida apenas para o curso de jornalismo, mas para qualquer outro. O "q.i" pode até ajudar, mas o emprego só será garantido pela capacidade profissional.
Ao contrário do que muitos universitários pensam, não é o diploma ou o selo da instituição que garante a formação. A bagagem cultural só é formada com leitura constante, dos mais variados tipos, além de teatro, música, cinema, arte, entre outros. Então, o que faremos diante disso? Fecharemos todas as universidades e faculdades existentes no país ou melhoraremos a qualidade do ensino?
A Constituição garante o direito à liberdade de expressão, mas é preciso responsabilidade ao exercê-la. Quando o jornalista transmite a informação, precisa ter dimensão do alcance da mesma. Uma apuração mal feita, ao contrário do que o presidente do Supremo pensa, pode destruir a vida de muitas pessoas, o caso da Escola Base reflete exatamente isso. Infelizmente, a ética não faz parte da atuação de muitos, o que também não é uma falha exclusiva dos jornalistas, para isso basta observar a crise vivenciada no Senado.
Concordo que profissionais com formação em ciências sociais, história e geografia podem enriquecer a vivência nas redações com o conhecimento que possuem, mas a extinção do diploma de jornalismo não era necessária para que isso ocorresse.
Extinguir a formação acadêmica poderá tirar ainda mais a credibilidade da informação. À sociedade restará a tarefa de redobrar o nível de atenção. Ainda acredito que bons profissionais sempre encontrarão espaço, independente do diploma, resta saber se serão, ou não, mais valorizados por possuí-lo. Para essa questão, ainda não há resposta.