Na última quarta-feira, 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal extinguiu a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista.
A advogada do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), utilizou um argumento tão absurdo que merece destaque: "A profissão de jornalista é desprovida de técnicas. É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo do conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo." Tal afirmação me faz pensar que a advogada nunca visitou um curso de jornalismo.
É mais fácil extinguir o diploma do que investir na qualidade do ensino superior oferecido nas instituições do país. Certamente isso daria trabalho ao Ministério da Educação e gastos às universidades. A luta do Sertesp não deveria ser pela melhora das grades curriculares, a fim de preparar melhor os profissionais para exercer a profissão? Ou será que os veículos de mídia não estão interessados em jornalistas pensantes?
O diploma nunca foi sinônimo de qualidade. Essa afirmação não é válida apenas para o curso de jornalismo, mas para qualquer outro. O "q.i" pode até ajudar, mas o emprego só será garantido pela capacidade profissional.
Ao contrário do que muitos universitários pensam, não é o diploma ou o selo da instituição que garante a formação. A bagagem cultural só é formada com leitura constante, dos mais variados tipos, além de teatro, música, cinema, arte, entre outros. Então, o que faremos diante disso? Fecharemos todas as universidades e faculdades existentes no país ou melhoraremos a qualidade do ensino?
A Constituição garante o direito à liberdade de expressão, mas é preciso responsabilidade ao exercê-la. Quando o jornalista transmite a informação, precisa ter dimensão do alcance da mesma. Uma apuração mal feita, ao contrário do que o presidente do Supremo pensa, pode destruir a vida de muitas pessoas, o caso da Escola Base reflete exatamente isso. Infelizmente, a ética não faz parte da atuação de muitos, o que também não é uma falha exclusiva dos jornalistas, para isso basta observar a crise vivenciada no Senado.
Concordo que profissionais com formação em ciências sociais, história e geografia podem enriquecer a vivência nas redações com o conhecimento que possuem, mas a extinção do diploma de jornalismo não era necessária para que isso ocorresse.
Extinguir a formação acadêmica poderá tirar ainda mais a credibilidade da informação. À sociedade restará a tarefa de redobrar o nível de atenção. Ainda acredito que bons profissionais sempre encontrarão espaço, independente do diploma, resta saber se serão, ou não, mais valorizados por possuí-lo. Para essa questão, ainda não há resposta.
Jornais sérios não precisam mesmo da obrigatoriedade do diploma para que cumpram seus papéis. O diploma continuará fazendo a diferença, sendo ele obrigatório ou não.
ResponderExcluirJornalistas, na grande maioria das vezes, são ferramentas de manipulação daqueles que controlam os jornais. São muitos os que querem, mas pouquíssimos os que podem e conseguem fazer o jornalismo de verdade - mas ainda fazem a diferença. A grande discussão não deveria ser sobre o diploma, mas sobre a situação dos jornalismo brasileiro. Enquanto o governo bancar a maior parte dos jornais, poderá fazer o que bem quiser. Inclusive receber o apoio dos jornalistas ao acabar com a categoria. Assim como numa "ditadura democrática".
Uma vez decidido que não existe a reserva de mercado, o jornalista —a meu ver um ser extremamente capacitado— deve driblar este problema, pois agora ele está diluído entre todas as pessoas que podem fazer jornalismo. O complô, a meu ver, nunca foi contra o jornalismo —mas sim contra o ser jornalista—, que é técnica —contrapondo-se isso ao que pensa a advogada do Sertesp, que deveria estudar um pouco mais para perceber que a maioria das atividades em sociedades complexas surgiram do fazer e depois foram ratificadas cientificamente.
ResponderExcluirMas como no pós-modernismo o discurso científico perdeu status, fica fácil à mesma afirmar tal argumento.
Para os que não temem a realidade, desafio a prever o seguinte:
1) Os jornalistas formados vão tirar mais proveito com projetos e parcerias, criando até uma contra demanda à grande mídia;
2) As escolas vão pensar novos cursos e espero que o governo também entre em sintonia, por meio do MEC;
3) Os picaretas que vão entrar na área por meio de QI (quem indicou) vão amargar salários medíocres, para não dizer que serão os pau-mandados da hora! Digo isso, pois o que as empresas queriam não vão abrir mão, ou seja: pagar menos e exigir mais!
4) Os sindicatos? bom, se estes vivem dos associados, por certo terão que flexibilizar o que entendem sobre isso! Será que a Fenaj vai aceitar "jornalistas" sem diploma!?
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Géssica,
ResponderExcluirA iniciativa de se posicionar frente aos fatos é extremamente saudável. É importante que manifestemos nossas opiniões ante as atitudes tomadas neste país, tão acostumado com imposições de cima para baixo. Se a obrigatoriedade do diploma foi criada em um contexto de regime ditatorial, hoje, a formação acadêmica em Jornalismo assume papel social diferente daquele que tinha à época. Seus argumentos são extremamente importantes e vale a pena expressá-los. Mas, segundo penso, talvez essa iniciativa venha servir para o aprimoramento das escolas de Jornalismo, que terão de ser criativas para atrair os alunos.
Muito bom, Géssica. ab
ResponderExcluirHenrique Macedo
Parabéns pela estréia no mundo dos blogueiros.
ResponderExcluirUm dia eu chego lá.
Um Beijo.
Julio Nogueira - jornalista